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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Quem é Deus?




Alguém me perguntou quem era Deus.

No rápido pensar disse:



- Deus é a poesia nas coisas.









Já viu o verde no verde?














                           Já viu o beija-flor no beijo?
















Já viu a água na água e seus peixes?












                                Já escutou a canção do vento?

                                       Antes escuta o silêncio.











Verás as notas estampadas nas nuvens.

Verás, creia!







Deus é a poesia na poesia.



É esse pulsar que anuncia que estamos vivos.

Creia

Creia amigo

Sinta a terra abaixo dos pés





JeanClaudio

28/06/11

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Transformando a Ansiedade



As emoções podem não ter olhos, bocas ou  estômagos, mas podem sugar as nossas energias, hipnotizar-nos e destruir o nosso estado natural de equilíbrio. As emoções tem o poder de atrair-nos para um reino artificial de sensação, capaz de obter o controle de nossas energias positivas. Parece que as pessoas precisam de emoções, como precisam de sal na comida. Mas as emoções são perigosas e instáveis, pois o que começa como prazer termina, não raro, em dor. E, quando estamos no meio de uma situação emocional, podemos ficar cegos pela dinâmica da situação, de modo que nossas impressões e perspectivas deixam de ser claras.



Uma das emoções mais difíceis de manipular é a ansiedade. À superfície, a ansiedade talvez não aparente ser um problema tão grande mas, no que diz respeito à nossa consciência humana, pode perturbar a nossa abertura meditativa de tal sorte que acabamos perdendo completamente o equilíbrio.

Dir-se-ia que o único jeito que conhecemos de buscar satisfação ou auto-realização é através de um ansiar sem fim. Embora consigamos, às vezes, satisfazer temporariamente os nossos desejos, a satisfação dura pouco, e só nos fica o desapontamento, o qual, por sua vez, nos conduz a uma ansiedade ainda maior. A maior parte dos seres humanos é assediada pelo desejo. O agarrar e o desejar são semelhantes a uma vela, cuja chama é a ansiedade. Essa contínua frustração significa que estamos insatisfeitos e infelizes porque raramente conseguimos o que desejamos. Andamos sempre procurando - movendo-nos na direção do que está fora de nós.

Quando estamos atentos, em lugar de perder-nos em conflitos e de entregar-nos ao sofrimento, autocondenação ou melancolia auto-indulgente, podemos enxergar com rapidez e facilidade, através das nossas dificuldades e transformar a energia negativa em positiva.



Ao surgirem problemas na meditação ou na vida diária, quando somos demasiadamente emocionais ou estamos presos a um padrão de comportamento que nos faz sofrer, é chegado o momento de praticar a abertura e o equilíbrio e de despertar a atenção. Quando estamos tristes ou zangados, por exemplo, e nos concentramos adequadamente na emoção, olhando para ela com intensidade de cima para baixo, e depois enfrentando-a diretamente, ela desaparece - porque vemos que na verdade, não é "nada". Com a prática podemos equilibrar com presteza uma situação deprimente ou frustrante movendo a mente para trás e para frente - fazendo-a feliz - e observando, durante o tempo todo, o que está acontecendo dentro de nós. Primeiro, podemos fazer alguma coisa positiva, depois alguma coisa negativa. Para começar, mude a mente para a depressão e chore de verdade. Logo em seguida, mude para o riso.

Que são, na realidade, tais emoções? Por que devo ser controlado por esses estados mentais transitórios?



A tristeza não é tão séria nem a felicidade tão frívola.

Cada experiência que temos pode ensinar-nos quanta tolice existe em sermos tão dramáticos e sérios - e que podemos transcender até as nossas dificuldades, pois nada é permanente.





Texto: Tarthang Tulku do livro Gestos de Equilíbrio.

terça-feira, 8 de março de 2011

Relação de Amor e Ódio

A menos que você seja iluminado, todos os seus relacionamentos, principalmente os mais íntimos, vão apresentar defeitos profundos. Durante um tempo, eles podem dar a impressão de serem perfeitos, mas, invariavelmente, essa perfeição aparente acaba destruída por discussões, conflitos, insatisfações e até mesmo violência física e emocional, que passa a acontecer com uma frequência cada vez maior. Parece que a maioria dos "relacionamentos amorosos" não leva muito tempo para se tornar uma relação de amor e ódio.



Os relacionamentos oscilam entre esses dois polos e isso é visto como normal. Os casais se tornam viciados nesses ciclos. Esse tipo de drama nos faz sentir vivos.
Pode parecer que tudo se resolveria se conseguíssemos eliminar os ciclos negativos e destrutivos, permitindo que o relacionamento florescesse sem problemas, mas isso não é possível. As polaridades são mutuamente interdependentes. Não podemos ter uma sem a outra. A positiva já contém dentro de si a negativa, ainda não manifestada. Ambas são, na verdade, aspectos diferentes de um mesmo sistema defeituoso.

O lado negativo de um relacionamento é mais facilmente reconhecido como um defeito ou anormalidade do que o positivo. E é muito mais fácil reconhecer no parceiro do que em nós mesmos. O negativo pode se manifestar de várias formas, tais como possessividade, ciúme, controle, ressentimento, insensibilidade e egocentrismo, cobranças emocionais e manipulação, raiva e violência física, necessidade de ter sempre razão, de discutir, criticar, julgar, culpar, agredir, irritar, ou se vingar, inconscientemente de um sofrimento do passado imposto por um dos pais.




Pelo lado positivo, há uma "paixão" pela outra pessoa. No primeiro momento, esse é um estado altamente gratificante. Sentimos que estamos intensamente vivos. Nossa existência passa a ter um significado porque, de repente, alguém precisa de nós, nos deseja, e nos faz sentir especial. Além disso, provocamos as mesmas sensações no outro, o que faz com que os dois se sintam completos. O sentimento pode se tornar tão intenso que o resto do mundo perde o signifcado.




Ficamos viciados na outra pessoa, que age sobre nós como uma droga. Quando a droga está disponível, nos sentimos muito bem. Mas a possibilidade, ainda que remota, de que ela não esteja mais ali, disponível para nós, pode levar ao ciúme, à possessividade, a tentativas de manipulação através da chantagem emocional, culpa ou acusações - o que no fundo, é o medo da perda. Se a outra pessoa nos abandonar mesmo, pode fazer nascer a mais intensa hostilidade, ou um profundo desespero. Em segundos, a ternura amorosa pode dar lugar à agressão selvagem ou a um desgosto terrível. Onde é que está o amor agora?




   Será que o amor pode se transformar no seu oposto em segundos?




Será que era amor de verdade ou um vício, uma dependência?











To be continued........






Texto: Eckhart Tolle

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Lila, o jogo divino

O universo desponta quando a consciência toma um corpo e uma forma, formas abstratas e formas materiais. Olhe para os milhões de formas de vida só neste planeta. No mar, na terra, no ar e como cada uma dessas formas se reproduz milhões de vezes. Com que propósito? Será que alguma coisa ou alguém está jogando um jogo com a forma?



É isso o que os antigos profetas da India se perguntavam. Viam o mundo como LILA, uma espécie de jogo divino jogado por Deus.  As formas de vida individuais não são obviamente muito importantes nesse jogo. No mar, a maioria das formas de vida não sobrevive por mais de alguns minutos depois de ter nascido. A forma humana também vira pó bem rapidamente e, quando ela se vai, é como se nunca tivesse existido. Isso é trágico ou cruel? Só se criarmos uma identidade separada para cada forma e esquecermos que a consciência de cada uma é a expressão da essência divina através da forma.



Se um peixe nasce no seu aquário e você lhe dá um nome de João, escreve uma certidão de nascimento, conta-lhe a história da família dele e, dois minutos depois, o vê sendo engolido por um outro peixe, isso é trágico. Mas só é trágico porque você projetou um eu interior separado onda não havia nenhum. Você se apoderou de uma fração de um processo dinâmico, uma dança molecular, e fez dela uma entidade separada.



A consciência assume formas tão complexas para se disfarçar que acaba se perdendo completamente nelas. Nos dias atuais, a consciência está totalmente identidificada com seu disfarce. Só se conhece como forma e assim vive com medo da destruição da sua forma física ou psicológica. Essa é a mente egóica, e é aqui que surge uma grave disfunção. Agora parece que alguma coisa deu errado em algum ponto ao longo da linha de evolução. Mas isso é parte da LILA, o jogo divino.





Por fim, a pressão do sofrimento criada por essa aparente disfunção obriga a consciência a se desidentificar da forma e a faz despertar do sonho. Ela recobra sua autopercepção, mas num nível muito mais profundo do que quando a perdeu.


Texto: Eckhart Tolle (O poder do Agora)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A Porta Para o Divino

A porta para o divino é a espontaneidade. Ser espontâneo é ser divino. A mente nunca é espontânea, ela está sempre no passado ou no futuro, está naquilo que já foi ou naquilo que ainda não aconteceu. Entre um e outro, ela perde aquilo que é - ou seja, a porta presente.










O momento presente não é parte do tempo, por isso a mente não pode acessá-lo. Mente e tempo são sinônimos. Você pode dizer que a mente é o tempo dentro de seu ser, e o tempo é a mente fora de você, mas eles são um único fenômeno.









O momento presente não é parte do tempo nem da mente. Quando você está no momento presente, está em um estado divino. Esse é o verdadeiro significado da meditação, o verdadeiro significado da oração, o verdadeiro significado do amor.






E, quando você age no momento presente, essa ação nunca é escravizadora, porque não é sua: é o divino agindo através de você, é o divino fluindo através de você.




Texto: Osho

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Divino Maravilhoso!


Atenção ao ver a mariposa buscando a luz na porta do seu quarto.
Atenção menina, que alegria!

Você viu?,

Atenção, precisa ter olhos firmes

Pra este sol, para esta escuridão






Atenção

Tudo é perigoso

Tudo é divino maravilhoso

Atenção para o momento

É preciso estar atento e forte

Não temos tempo de temer a morte






 


 Atenção para a porta no alto


Atenção ao olhar o céu, as nuvens

Atenção para a luz, a cor, a insustentável leveza do Ser








É apenas uma das faces da Unicidade.
Nas outras... ela sou eu, é tu , é a terra e o mar...
É divino Marvilhoso!!!!!


Fotos: Nascer do Sol na porta do meu quarto
Texto: Caetano me emprestou sua genialidade

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Viver a Vida

A vida é sem propósito. Não fique chocado. Toda ideia de propósito é errada — origina-se da ganância.







A vida é pura alegria, contentamento, diversão, riso — sem qualquer propósito absolutamente. A vida é a sua própria meta, não há nenhuma outra meta.

















No momento em que você compreende isso você compreendeu o que é meditação. É viver a sua vida prazerosamente, divertidamente, totalmente, e sem nenhum propósito no final, sem nenhum propósito em vista, nenhum propósito absolutamente.








Exatamente como as criancinhas brincando na praia, pegando conchas e pedras coloridas — com que propósito? Não há absolutamente nenhum propósito.





Fonte: http://www.palavrasdeosho.com/2010/02/meditacao-e-viver-alegremente.html


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Casa dos Mil Espelhos

Há algum tempo atrás existia, numa distante e pequena vila na China, um lugar conhecido como A Casa dos Mil Espelhos.






Certo dia, um pequeno e feliz cão soube deste lugar e decidiu visitar.

Quando lá chegou, saltou feliz escada acima, até a entrada da casa. Olhou através da porta de entrada com suas orelhas bem levantadas, abanando a sua cauda, tão rapidamente quanto podia. Para sua grande surpresa, deparou-se com outros mil pequenos e felizes cães, todos a abanarem as suas caudas, tão rapidamente quanto a dele.




Nesse momento, deu um enorme sorriso e foi correspondido com mil sorrisos enormes. Quando saiu da casa pensou: 'Que lugar maravilhoso! Voltarei sempre, um milhão de vezes'.

Na mesma vila havia outro pequeno cão, não tão feliz quanto o primeiro, que decidiu também visitar a casa.

Subiu lentamente as escadas e espreitou através da porta.

Quando viu mil cães a olhá-lo fixamente, rosnou e mostrou os dentes, e ficou assustado ao ver mil cães a rosnar-lhe e a mostrar-lhe os dentes.

Saiu a correr e pensou: "Que lugar horrível, nunca mais volto aqui!"


 






Todos os rostos no mundo são espelhos.








 
 
Fonte: http://viadalibertacao.blogspot.com/

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A Pequena Alma e o Sol

Era uma vez, em tempo nenhum, uma Pequena Alma que disse a Deus:
- Eu sei quem sou!

E Deus disse:

- Que bom! Quem és tu?

E a Pequena Alma gritou:                        


- Eu sou Luz

E Deus sorriu.

- É isso mesmo! - exclamou Deus. - Tu és Luz!

A Pequena Alma ficou muito contente, porque tinha descoberto aquilo que todas as almas do Reino deveriam descobrir.

- Uauu, isto é mesmo bom! - disse a Pequena Alma.



Mas, passado pouco tempo, saber quem era já não lhe chegava.

A pequena Alma sentia-se agitada por dentro, e agora queria ser quem era.

Então foi ter com Deus (o que não é má ideia para qualquer alma que queira ser Quem Realmente É) e disse:

- Olá Deus! Agora que sei Quem Sou, posso sê-lo?

E Deus disse:

- Quer dizer que queres ser Quem já És?

- Bem, uma coisa é saber Quem Sou, e outra coisa é sê-lo mesmo.

Quero sentir como é ser a Luz! - respondeu a pequena Alma.

- Mas tu já és Luz - repetiu Deus, sorrindo outra vez.

- Sim, mas quero senti-lo! - gritou a Pequena Alma.

- Bem, acho que já era de esperar. Tu sempre foste aventureira - disse Deus com uma risada.

Depois a sua expressão mudou.

- Há só uma coisa...

O quê? - perguntou a Pequena Alma.

- Bem, não há nada além da Luz.

Porque eu não criei nada além daquilo que tu és; por isso, não vai ser fácil experimentares-te como Quem És, porque não há nada que tu não sejas.

- Hã? - disse a Pequena Alma, que já estava um pouco confusa.

- Pensa assim: tu és como uma vela ao Sol. Estás lá sem dúvida.

         


Tu e mais milhões, ziliões de outras velas que constituem o Sol.

E o Sol não seria o Sol sem vocês. "Não seria um sol sem uma das suas velas... e isso não seria

de todo o Sol, pois não brilharia tanto. E no entanto, como podes conhecer-te como a Luz

quando estás no meio da Luz - eis a questão".

- Bem, tu és Deus. Pensa em alguma coisa! - disse a Pequena Alma mais animada.

Deus sorriu novamente.

- Já pensei. Já que não podes ver-te como a Luz quando estás na Luz, vamos rodear-te de escuridão - disse Deus.

- O que é a escuridão? perguntou a Pequena Alma.

- É aquilo que tu não és - replicou Deus.

- Eu vou ter medo do escuro? - choramingou a Pequena Alma.

- Só se o escolheres. Na verdade não há nada de que devas ter medo, a não ser que assim o decidas. Porque estamos a inventar tudo. Estamos a fingir.

- Ah! - disse a Pequena Alma, sentindo-se logo melhor.

Depois Deus explicou que, para se experimentar o que quer que seja, tem de aparecer exactamente o oposto.

- É uma grande dádiva, porque sem ela não poderíamos saber como nada é - disse Deus - Não poderíamos conhecer o Quente sem o Frio, o Alto sem o Baixo, o Rápido sem o Lento. Não poderíamos conhecer a

Esquerda sem a Direita, o Aqui sem o Ali, o Agora sem o Depois.   



E por isso, - continuou Deus - quando estiveres rodeada de escuridão, não levantes o punho nem a voz

para amaldiçoar a escuridão.

"Sê antes uma Luz na escuridão, e não fiques furiosa com ela. Então saberás Quem Realmente És, e os outros também o saberão.Deixa que a tua Luz brilhe tanto que todos saibam como és especial!"

- Então posso deixar que os outros vejam que sou especial? - perguntou a Pequena Alma.

- Claro! - Deus riu-se. - Claro que podes! Mas lembra-te de que "especial" não quer dizer "melhor"! Todos são especiais, cada qual à sua maneira! Só que muitos esqueceram-se disso. Esses apenas vão ver

que podem ser especiais quando tu vires que podes ser especial!

- Uau - disse a Pequena Alma, dançando e saltando e rindo e pulando. - Posso ser tão especial quanto quiser!     


- Sim, e podes começar agora mesmo - disse Deus, também dançando e saltando e rindo e pulando juntamente com a Pequena Alma - Que parte de especial é que queres ser?

- Que parte de especial? - repetiu a Pequena Alma. - Não estou a perceber.

- Bem, - explicou Deus - ser a Luz é ser especial, e ser especial tem muitas partes. É especial ser bondoso. É especial ser delicado. É especial ser criativo. É especial ser paciente. Conheces alguma outra maneira de

ser especial?

A Pequena Alma ficou em silêncio por um momento.

- Conheço imensas maneiras de ser especial! - exclamou a Pequena Alma - É especial ser prestável. É especial ser generoso. É especial ser simpático. É especial ser atencioso com os outros.

- Sim! - concordou Deus - E tu podes ser todas essas coisas, ou qualquer parte de

especial que queiras ser, em qualquer momento. É isso que significa ser a Luz.

- Eu sei o que quero ser, eu sei o que quero ser! - proclamou a Pequena Alma com grande entusiasmo.

- Quero ser a parte de especial chamada "perdão". Não é ser especial alguém que perdoa?

- Ah, sim, isso é muito especial, assegurou Deus à Pequena Alma.

- Está bem. É isso que eu quero ser.

Quero ser alguém que perdoa. Quero experimentar-me assim - disse a Pequena Alma.

- Bom, mas há uma coisa que devias saber - disse Deus.

A Pequena Alma já começava a ficar um bocadinho impaciente. Parecia haver sempre alguma complicação.

- O que é? - suspirou a Pequena Alma.

- Não há ninguém a quem perdoar.

- Ninguém? A Pequena Alma nem queria acreditar no que tinha ouvido.

- Ninguém! - repetiu Deus. Tudo o que Eu fiz é perfeito. Não há uma única alma em toda a Criação menos perfeita do que tu. Olha à tua volta.

Foi então que a Pequena Alma reparou na multidão que se tinha aproximado. Outras almas tinham vindo de todos os lados - de todo o Reino - porque tinham ouvido dizer que a Pequena Alma estava a ter uma

conversa extraordinária com Deus, e todas queriam ouvir o que eles estavam a dizer.




Olhando para todas as outras almas ali reunidas, a Pequena Alma teve de concordar.

Nenhuma parecia menos maravilhosa, ou menos perfeita do que ela. Eram de tal forma maravilhosas, e a sua Luz brilhava tanto, que a Pequena Alma mal podia olhar para elas.

- Então, perdoar quem? - perguntou Deus.

- Bem, isto não vai ter piada nenhuma! - resmungou a Pequena Alma - Eu queria experimentar-me como Aquela que Perdoa. Queria saber como é ser essa parte de especial.

E a Pequena Alma aprendeu o que é sentir-se triste. Mas, nesse instante, uma Alma Amiga destacou-se da multidão e disse:

- Não te preocupes, Pequena Alma, eu vou ajudar-te - disse a Alma Amiga.

- Vais? - a Pequena Alma animou-se. - Mas o que é que tu podes fazer?

- Ora, posso dar-te alguém a quem perdoares!

- Podes?

- Claro! - disse a Alma Amiga alegremente. - Posso entrar na tua próxima vida física e fazer qualquer coisa para tu perdoares.

- Mas porquê? Porque é que farias isso? - perguntou a Pequena Alma. - Tu, que és um ser tão absolutamente perfeito! Tu, que vibras a uma velocidade tão rápida a ponto de criar uma Luz de tal forma brilhante que mal posso olhar para ti! O que é que te levaria a abrandar a tua vibração para uma velocidade

tal que tornasse a tua Luz brilhante numa luz escura e baça? O que é que te levaria a ti, que danças sobre as estrelas e te moves pelo Reino à velocidade do pensamento, a entrar na minha vida e a tornares-te tão pesada a ponto de fazeres algo de mal?

- É simples - disse a Alma Amiga. - Faço-o porque te amo.

A Pequena Alma pareceu surpreendida com a resposta.

- Não fiques tão espantada - disse a Alma Amiga - tu fizeste o mesmo por mim.

Não te lembras? Ah, nós já dançámos juntas, tu e eu, muitas vezes. Dançámos ao longo das eternidades e através de todas as épocas.Brincámos juntas através de todo o tempo e em muitos sítios. Só que tu não te lembras. Já fomos ambas o Todo. Fomos o Alto e o Baixo, a Esquerda e a Direita. Fomos o Aqui e o Ali,

o Agora e o Depois. Fomos o Masculino e o Feminino, o Bom e o Mau - fomos ambas a vítima e o vilão. Encontrámo-nos muitas vezes, tu e eu; cada uma trazendo à outra a oportunidade exacta e perfeita para Expressar e Experimentar Quem Realmente Somos.




- E assim, - a Alma Amiga explicou mais um bocadinho - eu vou entrar na tua próxima vida física e ser a "má" desta vez. Vou fazer alguma coisa terrível, e então tu podes experimentar-te como Aquela Que

Perdoa.

- Mas o que é que vais fazer que seja assim tão terrível? - perguntou a Pequena Alma, um pouco nervosa.

- Oh, havemos de pensar nalguma coisa - respondeu a Alma Amiga, piscando o olho.

Então a Alma Amiga pareceu ficar séria, disse numa voz mais calma:

- Mas tens razão acerca de uma coisa, sabes?

- Sobre o quê? - perguntou a Pequena Alma.

- Eu vou ter de abrandar a minha vibração e tornar-me muito pesada para fazer esta coisa não muito boa. Vou ter de fingir ser uma coisa muito diferente de mim. E por isso, só te peço um favor em troca.

- Oh, qualquer coisa, o que tu quiseres! - exclamou a Pequena Alma, e começou a dançar e a cantar: - Eu vou poder perdoar, eu vou poder perdoar!

Então a Pequena Alma viu que a Alma Amiga estava muito quieta.



- O que é? - perguntou a Pequena Alma.



- O que é que eu posso fazer por ti? És um anjo por estares disposta a fazer isto por mim!



- Claro que esta Alma Amiga é um anjo!- interrompeu Deus, - são todas! Lembra-te sempre: Não te enviei senão anjos.






E então a Pequena Alma quis mais do que nunca satisfazer o pedido da Alma Amiga.



- O que é que posso fazer por ti? - perguntou novamente a Pequena Alma.



- No momento em que eu te atacar e atingir, - respondeu a Alma Amiga - no

momento em que eu te fizer a pior coisa que possas imaginar, nesse preciso momento...



- Sim? - interrompeu a Pequena Alma



- Sim?



A Alma Amiga ficou ainda mais quieta.



- Lembra-te de Quem Realmente Sou.



- Oh, não me hei-de esquecer! - gritou a Pequena Alma - Prometo! Lembrar-me-ei sempre de ti tal como te vejo aqui e agora.



- Que bom, - disse a Alma Amiga - porque, sabes, eu vou estar a fingir tanto, que



eu própria me vou esquecer. E se tu não te lembrares de mim tal como eu sou realmente, eu posso também não me lembrar durante muito tempo. E se eu me esquecer de Quem Sou, tu podes esquecer-te de Quem És, e ficaremos as duas perdidas. Então, vamos precisar que venha outra alma para nos lembrar às duas Quem Somos.



- Não vamos, não! - prometeu outra vez a Pequena Alma. - Eu vou lembrar-me de ti!



E vou agradecer-te por esta dádiva - a oportunidade que me dás de me experimentar



como Quem Eu Sou.        




E assim o acordo foi feito. E a Pequena Alma avançou para uma nova vida, entusiasmada por ser a Luz, que era muito especial, e entusiasmada por ser aquela parte especial a que se chama Perdão.



E a Pequena Alma esperou ansiosamente pela oportunidade de se experimentar como Perdão, e por agradecer a qualquer outra alma que o tornasse possível.



E, em todos os momentos dessa nova vida, sempre que uma nova alma aparecia em cena, quer essa nova alma trouxesse alegria ou tristeza - principalmente se trouxesse tristeza - a Pequena Alma pensava no que Deus lhe tinha dito.



Lembra-te sempre,- Deus aqui tinha sorrido - não te enviei senão anjos.

 
 
 
 
Texto: Neale Donald Walsch
Fonte:  http://flordeluali.blogspot.com/

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

NÃO COMEMORE O NATAL.

Peço que por uns segundos você esqueça o Shopping Iguatemi, o panetone (epa!), a árvore enfeitada, a mesa farta, o abraço protocolar dos parentes e me responda: o que se comemora mesmo no dia 25 de Dezembro?





Se não me engano é a data presumível do nascimento de uma criança paupérrima, cuja trajetória neste mundo pode ser resumida em uma frase que a tal criança, uma vez adulta, vivia repetindo: “ama o teu próximo como a ti mesmo”.

Se essa frase tivesse sido levada a sério, ao longo desses dois mil e nove anos poderíamos ter evitado um mar de sofrimento e clamor que marcou e tem marcado a presença humana no planeta: cruzadas assassinas, grandes guerras mundiais, escravidão de negros africanos, racismo de todas as formas, fome, miséria e aquecimento global.






Se a humanidade ocidental-cristã tivesse realmente aquela criança na conta de um deus, certamente que nem precisaria escrever leis absurdas, impor regras e limites de convivência, erguer “cercas embandeiradas que separam quintais” e outras complicações que estarrecem e empobrecem a vida.Bastaria ter o Sermão da Montanha como fonte de inspiração e orientador de condutas.

Mas a verdade é nunca demos a menor bola para o que o nosso aniversariante fez ou propôs.Montamos uma forma de viver, por essa banda do mundo, que corresponde exatamente ao contrário das suas melhores ideias.Construímos templos suntuosos para abrigar as correntes religiosas que fundamos e temos fundado, em nome de uma certa fé nesse homem que achamos ser Deus.Acontece que ele nunca pediu nada disso e até repudiava os que transformavam casas de oração em casas da moeda.





Inventamos e sustentamos milhares de padres e pastores que se arrogam professadores e exegetas da mensagem do “cara” e o fazem... da boca pra fora!

Por esses últimos dias, tivemos notícia de morte e desespero pelas chuvas de São Paulo, cenas explícitas de corrupção por bandidos de Brasília e do fracasso de Copenhague, cujos líderes, na sua maioria auto-intitulados “cristãos”, resolveram apressar, por simples egoísmo, a morte do planeta.





Por isso, se você se encaixa em alguma das categorias acima descritas, por favor, seja coerente e verdadeiro com você mesmo(a): no próximo dia 25, não comemore o natal.



Texto: Jorge Portugal
           Educador e poeta.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada


                                  Há metafísica bastante em não pensar em nada.



O que penso eu do mundo?

Sei lá o que penso do mundo!

Se eu adoecesse pensaria nisso.



Que idéia tenho eu das cousas?                                         

Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?


                              Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma

                                                               E sobre a criação do Mundo?              



Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos

E não pensar. É correr as cortinas

Da minha janela (mas ela não tem cortinas).



O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!

O único mistério é haver quem pense no mistério.

Quem está ao sol e fecha os olhos,

Começa a não saber o que é o sol

E a pensar muitas cousas cheias de calor.

Mas abre os olhos e vê o sol,

                                                              


E já não pode pensar em nada,

Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos

De todos os filósofos e de todos os poetas.

A luz do sol não sabe o que faz

E por isso não erra e é comum e boa.



Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?

A de serem verdes e copadas e de terem ramos

E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar, 

           


A nós, que não sabemos dar por elas.

Mas que melhor metafísica que a delas,

Que é a de não saber para que vivem

Nem saber que o não sabem?



"Constituição íntima das cousas"...

"Sentido íntimo do Universo"...

Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.

É incrível que se possa pensar em cousas dessas.

É como pensar em razões e fins

Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores

Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.



Pensar no sentido íntimo das cousas

É acrescentado, como pensar na saúde

Ou levar um copo à água das fontes.



O único sentido íntimo das cousas

É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em Deus porque nunca o vi.

Se ele quisesse que eu acreditasse nele,   


                               


Sem dúvida que viria falar comigo

E entraria pela minha porta dentro

Dizendo-me, Aqui estou!



(Isto é talvez ridículo aos ouvidos

De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,

Não compreende quem fala delas

Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)



Mas se Deus é as flores e as árvores

E os montes e sol e o luar,

Então acredito nele,

Então acredito nele a toda a hora,

E a minha vida é toda uma oração e uma missa,

E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.



Mas se Deus é as árvores e as flores
  
E os montes e o luar e o sol,

Para que lhe chamo eu Deus?

Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;

Porque, se ele se fez, para eu o ver,

Sol e luar e flores e árvores e montes,

Se ele me aparece como sendo árvores e montes

E luar e sol e flores,                                                        


É que ele quer que eu o conheça

Como árvores e montes e flores e luar e sol.



E por isso eu obedeço-lhe,

(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).

Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,

Como quem abre os olhos e vê,

E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,

E amo-o sem pensar nele,

E penso-o vendo e ouvindo,

E ando com ele a toda a hora.




Fernando Pessoa

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