domingo, 6 de dezembro de 2009

Dorival Caymmi, O Pintor

"É doce morrer no mar,                    

Nas ondas verdes do mar..."

Prá mim, essa é uma das músicas mais bonitas da MPB. É pura simplicidade, é pura poesia, é a doçura personificada. Falar sobre esse cantor e compositor bahiano é muita pretensão, pois acredito que tudo já foi dito, ou melhor, não precisa mais palavras, pois elas são apenas o simbolismo escrito do fato, do homem, e só mesmo a experiência direta prá entender esse artista inigualável.








Entretanto o pintor Caymmi é quase que desconhecido, pelo menos prá mim e acredito, para  a maioria dos meus amigos. Não sei como, essa curiosidade martelou minha cachola e aí resolvi escrafunchar (como dizia minha saudosa mãe).




Como na música, suas pinturas são influenciadas  pelo azul do mar, pelo requebrado das baianas, pela jinga da capoeira e mais do que tudo, pela negritude da Bahia.






"O pintar lhe faz bem..." , como diria seu compadre e amigo de todas as horas, Jorge Amado, tranquilizando Stella, mulher de Caymmi, que ficou apreensiva com a extrema dedicação do seu marido à pintura, receando que ele abandonasse a música, ou a colocasse em segundo plano, e as dificuldades financeiras que poderiam advir dessa atitude.  




O amor pela pintura se tornou uma constante na vida de Caymmi - o convívio com artistas como Volpi, Rebolo, Pancetti e Graciano, no Clube dos Artistas e Amantes das Artes (conhecido como "Clubinho"), em São Paulo, estimulou ainda mais sua crescente atividade de pintor.




Seu estilo, nas próprias palavras do artista seria... "Eu acompanhei toda essa querela entre o Abstracionismo e o Figurativismo, mas não cheguei a uma posição definitiva. Sou um lírico em pintura. Gosto da harmonia das cores. Por outro lado, não posso me desprender da forma."









Além das paisagens, ele pintou vários retratos de amigos, familiares e autorretratos, principalmente nos idos de 40 e 50.










Esse artista, esse compositor, esse cantor, esse pintor, esse ser humano, esse Ser, ficou escrito, cantado e falado pelos quatro cantos do mundo, inclusive aqui no meu cantinho da prosopopéia e da verborréia -  parafraseando o grande Gil - mas sobretudo, guardadinho no meu coração até o dia que eu acordar desse sonho e dormir em outro.










É doce morrer...


Nas ondas verdes do mar meu bem

Ele se foi afogar

Fez sua cama de noivo

No colo de Iemanjá

É doce morrer...
 
 
 
 
 

 
 
 
 
Texto: Queila  
Fonte: Dorival Caymmi: o mar e o tempo por Stella Caymmi               
Fotos das pinturas:  http://www.jobim.org/

6 comentários:

  1. Adorei o seu blog e linkei o seu blog ao meu. Gosto de linkar os outros blogs é como um trabalho de pesquisa o que gosto de fazer...E gosto de valorizar o trabalho dos outros.Parabéns pelo seu blog.
    http://www.conectandorionatal.com.br/index.php/component/content/article/92-monumentos/195-estatua-do-dorival-caymi-em-copacabana.html

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  2. Que coisa magnífica! não fazia a menor idéia de que ele era um pintor tão incrível!

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  3. Olá,
    Encontrei este post enquanto procurava assuntos relacionados ao Dorival Caymmi. Muito interessante!
    Abraços,
    Lu Oliveira
    www.luoliveiraoficial.com.br

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  4. muito obrigado por nos fazer conhecer essa "onda" do mar de Dorival Caymmi nas telas de pintura. Gostei muito.

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  5. Parabéns pelo seu trabalho!
    Um espetáculo!
    Um grande abraço!
    Profª. Cristina Cátia Lima - Música e Artes

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  6. gostaria de receber mais material sobre Caymmi, sou educadora e estou trabalhando com meus alunos. se tiver de Caetano Veloso tmb agradeço

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