sábado, 27 de fevereiro de 2010

A Poesia Saiu

A poesia saiu
Foi à rua colher vidas                                              
Foi
Foi colher canções
Afiadas, rimadas em ódio e amor
Foi
Foi além do poeta que cisca no quintal
Foi beber as pessoas do copo
Foi lá
Foi lá ver os cães abandonados
Foi sentir as guerras das torcidas
Foi foi
No gol rasgando a rede
Foi na mata já quase morta colher uma asa
Foi no rio perguntar se lá mora peixe
Foi saber da amada se ela ama
Foi também perguntar ao pastor se a ovelha negra é branca
Ou branca é negra – preta batina, preto paletó
Foi
Saiu assim pela fresta da porta
E só soube pelo latido do cão,
Que a conhece morando ali,
Bem perto da pisada de formiga
No chão de mim, de outros e tantos
Foi...



Retornou certo dia                                              
E lhe perguntei:
- Que trouxe de sua vinda?


Simplesmente respondeu:


- Trouxe palavras para encher
Algum vazio que ora chegue a tua folha
Onde os homens pisoteiam
Trazendo amor e ódio.
Trouxe a marca de quem sente
Trouxe uma nuvem que guarda água
Trouxe um olho que chove
Trouxe uma faca para sangrar,
Pois às vezes, a palavra não corta,
Como deveria cortar.
Trouxe na verdade,
Um poeta por obrigação de gente.


Seja poeta então,
Amigo Jean.



JeanClaudio
24/02/10

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Dora Maar, a musa inspiradora

Foram sete as mulheres oficiais de Picasso, mas Dora Maar,  repetidamente retratada por ele, lhe rendeu alguns de seus mais expressivos trabalhos.


                         

 
 
No inverno de 1936, uma mulher morena de cabelos pretos e olhos verdes, sentada no Deux-Magots, restaurante que o pintor freqüentava, lhe chamou a atenção. Dora Maar era atraente e não convencional. 
Ela tinha 27 anos e ele 55 quando se conheceram. Pintora, fotógrafa e inteligente, foi amante de Picasso por sete anos. Incentivou-o a assumir posicões políticas contra os governos de força, e em 1937 teve papel fundamental na execução de Guernica. Ela fotografou passo a passo a produção, ajudou a concebê-lo e até a pintá-lo.
 
 




Passaram juntos os anos de ocupação da França na Segunda Guerra, quando Picasso foi proibido de realizar exibições. No período, Dora aparece em vários telas. No início, ele a pintava mais realisticamente, depois, as mais marcantes, mostram uma mulher desfigurada, chorando, beirando à monstruosidade.



                      




















Um dos quadros de Dora Maar, pintado em 1941 foi vendido em 2006 pelo preço de mais de 95 milhões de dólares. Não se sabe quem foi o comprador!




  Conta-se que, quando Picasso, então com 60 anos, conheceu Françoise Gilot, que tinha 23, sua mulher, Dora Maar, comentou que ele repetia com todas uma mesma técnica de conquista, dizendo: “Sabia que antes de você nascer eu pintei o seu rosto? Quando você anda pelas ruas, nunca lhe disseram que você é um quadro de Picasso?”
 
 
                    
 
    Picasso exercia um magnetismo tão grande sobre suas amantes que a vida realmente deixava de fazer sentido sem ele. Costumava se retratar como um minotauro, um ser monstruoso, fruto de amores que vão além do entendimento, protagonista de relações violentas, eróticas e cruéis. Foi essa sexualidade selvagem que transpirou pelo desenho de suas mulheres. Na Paris do século passado, Picasso devorou pessoas e eventos com grande paixão, e transformou-as em arte.
 
 

 
Dora Maar, foi a amante que mais sofreu com a separação. Trocada por Françoise Gilot, entrou em processo esquizofrênico e foi internada num hospital para doentes mentais. Depois, passou anos reclusa num convento. Morreu sozinha em seu apartamento, em Paris, aos 90 anos.
 
 




Para saber mais: http://historianovest.blogspot.com/2009/07/as-mulheres-de-picasso.html

 
 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Viver a Vida

A vida é sem propósito. Não fique chocado. Toda ideia de propósito é errada — origina-se da ganância.







A vida é pura alegria, contentamento, diversão, riso — sem qualquer propósito absolutamente. A vida é a sua própria meta, não há nenhuma outra meta.

















No momento em que você compreende isso você compreendeu o que é meditação. É viver a sua vida prazerosamente, divertidamente, totalmente, e sem nenhum propósito no final, sem nenhum propósito em vista, nenhum propósito absolutamente.








Exatamente como as criancinhas brincando na praia, pegando conchas e pedras coloridas — com que propósito? Não há absolutamente nenhum propósito.





Fonte: http://www.palavrasdeosho.com/2010/02/meditacao-e-viver-alegremente.html


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Carnaval na Bahia - parte II, A missão.

Eu nem estou lá esse ano, mas nada me deixa esquecer a Bahia, o carnaval, os 60 anos do trio elétrico, os 25 anos do axé e por aí vai. E nessa folia toda ,continua tudo como antes no quartel de Abrantes: discriminação, industrialização, contradição, cordão, povão, mas sobretudo celebração, por que não?
Portanto, vamo pular, vamo pular,  vamo pular...

Como diz o jornalista  ZédeJesusBarreto: "Na folia, tudo está explícito, nas fuças, caviar e crack, a servir. Paetês e bunda de fora. Heliporto próximo ao camarote e isopor imundo na cabeça, beijo na boca e bala perdida.
Senhor do Bonfim que nos cubra e nos proteja. Que os nossos orixás cuidem da alegria, não permitam o pior. Até a tarde de quarta-feira, quando tudo vira cinzas."

E que venha a diversidade ! (boa ou ruim...faz parte)


Os 60 anos do trio         



O Trio Elétrico de Dodô e Osmar foi a maior inovação do Carnaval da Bahia. Criado em 1950, o trio elétrico representa a consagração do carnaval de rua. A primeira apresentação foi feita em cima de um Ford 1929, apelidado de “fobica”, com guitarras elétricas e som amplificado por alto-falantes, às cinco da tarde do Domingo de carnaval. O desfile aconteceu no Centro da cidade arrastando uma verdadeira multidão.

25 Anos de Axé
A axé music, gênero musical que nasceu na Bahia, se solidificou no Brasil e conquistou o planeta, completa 25 anos de existência em 2010 e continua gerando polêmica. Resultado de uma rica fusão de ritmos (rock, forró, frevo e a inconfundivel batida afro), move apaixonados e revolta alguns que se dizem ‘amantes da boa música’.






Os mais apaixonados resumem dizendo aos quatro ventos que essa é uma expressão musical única, inconfundivel, que contagia e faz a multidão pular que nem pipoca. Os que odeiam o gênero argumentam: com sua massificação, mais acentuada a partir do boom dos anos 90, a axé music tornou-se um vilão ao suprimir outros tipos de expressão cultural.

Passada a febre inicial, o axé ainda reina, é inegável, mas os mais odiosos tendem a acalmar os ânimos e reconhecer: se a massificação prejudicou outras expressões culturais, a axé music serviu e serve, ao menos, para levar aos quatros cantos do mundo um pouco do que a Bahia é, e disseminar os chamados ritmos afrobaianos (distorcidos ou não, massificados ou não).



De Luiz Caldas a Ivete Sangalo, da Banda Mel a Jau Peri, a axé music passou por diferentes momentos, mas permanece sinônimo de festa e diversão. Então, polêmicas à parte, viva a axé music!



 
 
 
 
 
  Filhos de Gandhy

Com seus trajes brancos, os Filhos de Gandhy embelezam os caminhos por onde passam, formando um tapete branco de fé e tradição. O bloco, que já desfila na avenida há mais de 60 anos, tem uma história que começa em 1948, quando os estivadores eram tidos como privilegiados, devido às condições econômicas da época que lhes favorecia e ao fato de não terem patrões.

Nesse ano, foi fundado o bloco Comendo Coentro, no qual um caminhão seguia pelas ruas com vários instrumentos musicais acompanhado dos estivadores, trajados finamente com o que de mais elegante existia: roupas de linho importado, chapéus Panamá e sapatos Scamatchia.



Já em 1949, com a política de arrocho salarial, numa economia de pós-guerra, o governo federal interviu no sindicato dos estivadores, o que fez decair a renda dos sindicalizados. Com a crise financeira, o "Comendo Coentro" não pôde sair às ruas, então surgiu a ideia de levar um "cordão", ou bloco de carnaval, idealizado por Durval Marques da Silva, o "Vava Madeira", com o apoio dos demais estivadores.

Eles arrecadaram dinheiro e compraram lençóis para serem utilizados na confecção dos trajes, barris de mate e couro, com os quais construíram os tambores utilizados no acompanhamento do cortejo. Surgiu então o bloco Filhos de Gandhy, cujo nome foi sugerido por "Vava Madeira", inspirado na vida do líder pacifista Mohandas Karamchand Gandhy. No entanto, trocou-se a letra "i" por "y", para evitar possíveis represálias pelo uso do nome de uma importante figura do cenário mundial. E foi assim que surgiu o bloco que encanta os foliões em Salvador.

Olodum


Batida inconfundível e contagiante que há 30 anos arrasta uma verdadeira multidão pelos quatro cantos do mundo. A banda Olodum fascina pela musicalidade, beleza e energia. São 19 ao todo: 10 percussionistas, 03 cantores e 06 músicos de harmonia, que fazem o povo balançar com o samba-reggae - criado pelo maestro Neguinho do Samba.

Com todos esses anos de carreira e sucesso, o Olodum já esteve em 35 países do mundo e, por onde passa, levanta a bandeira da luta contra o preconceito e a discriminação racial. As parcerias com grandes astros da música, como Paul Simon, Michael Jackson, Jimmy Cliff e Ziggy Marley, renderam ao grupo admiradores que lotam shows e ensaios. Até hoje, nenhuma outra banda de percussão conseguiu reunir 750 mil pessoas no Central Park, ou ainda dois milhões de pessoas, como foi no carnaval de North Hill Gate, na Inglaterra.

O mais belo do belos - Ilê Aiyê

Quem já foi ao carnaval da Bahia conhece a música Mundo Negro, um dos hits mais tradicionais do Ilê Aiyê, lançado em 1975, na estreia do bloco. Com 35 anos de vida, o Ilê é o mais antigo bloco afro do Brasil.

Na luta para preservar a tradição africana no carnaval de Salvador, o bloco leva cultura e muita beleza para a avenida. Impossível não se emocionar quando ele passa!



"O mais belo dos belos", como é conhecido, tem um ritual diferente. Na ladeira do Curuzu, na Liberdade, seus associados se encontram com baianos e turistas e pedem permissão aos orixás para sair às ruas. Na folia de momo, sai no Pelô e no Campo Grande.





Apaches e Comanches

 Na folia deste ano, estará nas ruas outra vez o bloco de índios Apaches do Tororó – duas décadas depois, sair na avenida continua sendo uma verdadeira prova de resistência. Com o lema “O Apaches de volta. Apaches forte, você forte”, o bloco remete à tristeza do ano passado, por não ter conseguido sair.

Inspirado nas tribos indígenas dos filmes americanos o Apaches sai às ruas para denunciar a exploração histórica sofrida pelos povos negro e indígena.

Desde sua fundação, em 1968, o bloco impulsionou o surgimento de vários outros grupos do gênero, além de ter revelado compositores de sambas que ficaram na memória dos foliões, a exemplo de Nelson Rufino, Jair Lima, Paulinho Camafeu e outros do calão.

Em extinção

Pelo menos até 1983, mais de 20 blocos de índio existiram. Destes, só dois sobreviveram: além do Apaches, o Commanche do Pelô, que ainda mantém a média de cinco mil pessoas por dia de festa. Apesar da ajuda que recebem do estado por meio de editais, os blocos ainda consideram a quantia insuficiente. Vale a pena conferir! E, claro, torcer para que essa verdadeira relíquia não siga o mesmo caminho dos outros blocos de índios já extintos.

Sua Majestade, O Rei

Foi-se o tempo em que para ser o Rei Momo era preciso pesar mais de 130 kg. A majestade da folia baiana em 2010 é uma versão mais, digamos... Elegante. Ao menos assim se apresenta Pepeu Gomes, soteropolitano e integrante do grupo Novos Baianos. Pepeu pesa ‘apenas’ 90 quilos e promete inovar: vai entrar no circuito vestindo uma saia escocesa kilt.




O Rei Momo Pepeu Gomes abre oficialmente a festa, na quarta-feira (11/2), às 19h, no Campo Grande (circuito Osmar), quando recebe das mãos do prefeito de Salvador, João Henrique, as chaves da cidade. Também participarão da entrega simbólica o músico Armandinho e os filhos do saudoso Osmar. Logo depois começam os desfiles de blocos e entidades carnavalescas.

Na contramão do Garcia


Todos os anos, os foliões podem conferir o humor e a irreverência do desfile do Mudança do Garcia, bloco de crítica política e social formado por entidades sindicais, partidos políticos, sindicatos, representações dos movimentos sociais organizados, intelectuais, universitários e também foliões que gostam do grupo.

O Bloco Mudança do Garcia não poupa ninguém. O prefeito, o governador, o papa, George Bush, Barack Obama, Lula, a crise financeira mundial, o aquecimento global e a Federação Internacional de Futebol (Fifa).



Esses e muitos outros temas são alvo do humor ácido do bloco que já tem a tradição de não respeitar seu horário de entrar no circuito oficial do carnaval de Salvador, no Campo Grande. Confira a ousadia do bloco.

O Renascer das Cinzas

Depois de seis dias de muita festa, axé e diversão, o carnaval de Salvador sempre acaba com mais festa. O tradicional Arrastão de Carlinhos Brown acontece desde 1994 e celebra o encerramento do grande carnaval da cidade.




Neste ano, o compositor Carlinhos Brown pede a todos os foliões que se vistam de roupas na cor azul durante o arrastão de cinzas, na quarta-feira (17), como um pedido de boa sorte para a Seleção Brasileira na Copa do Mundo.








Enfim...Axé...Tororó...Borogodó...Olodum...Ilê...Pelô...Dodô e todos os yoyôs e Yayás.
Que venham os gritos e atritos do Carná .



Viva a Vida e todas as suas manifestações!




Texto: Queila Levinstone


sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Carnaval na Bahia

Nem tinha terminado a folia de 2007 e o governo petista recém-empossado prometia um amplo debate sobre os rumos e dimensionamentos do Carnaval de Salvador, tido como a maior festa de rua do planeta. Afinal, são seis dias de fuzarca, com o total fechamento do umbigo da cidade, desde o Centro Histórico até Ondina, na orla atlântica.

- Ufa, enfim entra um governo com coragem e cacife popular para intervir um pouco nessa loucura desenfreada que se tornou o carnaval baiano, tão desigual, tão excludente.

Sonhamos.

O Carnaval 2010 está nas bocas e nada, absolutamente nada há de novo. Nenhum debate, nem uma proposta nova, nada!

A indústria dos grandes trios/blocos/estrelas manda na folia, faz o que é do seu interesse. Os camarotes são cada ano mais numerosos e chiques, para alguns. O povão corre atrás para conseguir liberar uma guia, pagando caro, e trabalhar no sufoco, no apertucho, fugindo da cana, dos ladrões, dos fiscais e dos ‘malucos’ na tentativa de ganhar o pão dormindo na rua. As agremiações populares vivem esmolando ‘apoios’ pra sair na avenida ... Ué, ‘tudo como dantes no quartel de Abrantes’, como diz o outro.





A velha Salvador já está emparedada.



Não existe mais decoração de carnaval nas ruas da cidade. Também não é mais possível se ver as belezuras de sua história, mesmo com os hotéis cheios de turistas: o casario do Pelô, algumas igrejas com suas torres majestosas, praças, monumentos, praias, Farol da Barra, Cristo... nada! Tudo tapumado.



As chamadas estruturas do carnaval já ocuparam os espaços, tapam a visão, pois o importante é proteger o verde com placas de compensados imundos, os mesmos do ano que passou, fincar ferros, plantar palcos, camarotes, postos de saúde e segurança ao longo do percurso, espaço para a mídia, os chiques... e corredores da morte para o povão espremido nas calçadas esburacadas, obstruídas... até os meados de março, abril... quando acontece a desmontagem. Vale a pena isso?

Cria-se uma estrutura portátil urbana horrorosa, agressiva, estúpida, dentro da cidade.

Fecham-se ruas, bairros inteiros. E os moradores que se lenhem, se piquem, caso não suportem o sufoco, o confinamento, a barulheira, a invasão de hordas de bárbaros, ou foliões, depende do ponto de vista.

É justo? Justificável... para que meia dúzia encham as burras de dinheiro?

E não me venham com esse papo de ‘herança maldita’.



Não foi o ‘carlismo’ que inventou o axé, o pagode, a indústria dos grandes blocos, os camarotes, a segregação, os ‘cordeiros’, o fogareiro de queijo coalho, o isopor na cabeça, a catação de latinhas, o abadá de mil reais, o venha cá, os privilégios ...

Bem como também não foi o tal ‘carlismo’ que inventou o Trio Elétrico ( 60 anos de Trio), os caretas, as mortalhas, os blocos Afro, a Mudança do Garcia, a diversidade, a tecnologia do som e das transmissões ao vivo para o mundo...




Tudo isso é parte da evolução, da dialética cultural e histórica do povo, das novas descobertas, da expansão do turismo, das leis do mercado, da ação dos ‘negociantes’, da omissão ou adesão dos poderosos de plantão... As mudanças sociais são mais complexas do que imaginam as mentes dos militantes da política eleitoreira.

‘A Bahia vai bem’? ‘E a Bahia de Todos nós’? Quem está no andor?









O modelito do carnaval baiano explodiu, saturou-se. Fazemos o carnaval hoje como se fossem os anos 70, 80.
Só que os trios de hoje são monstros que não cabem mais nos corredores da avenida Sete. Imensos, não conseguem mais subir a Praça Castro Alves, não tem como fazer as manobras em esquinas do século XVIII e XIX.







O casario antigo, bem como estruturas como as do Farol da Barra e alguns prédios, lá e cá, já não suportam os cento e tantos decibéis de barulho; tremem, racham. Nossos surrados ouvidos e caixa de ressonância cerebral também.







O carnaval de Salvador dos anos dois mil são vários carnavais.

O circuito mais antigo, do Pelô, continua familiar. Apesar dos tambores que parecem querer derrubar os casarões coloniais, os palanques ocultando suas belas fachadas.



Um absurdo.

É necessário controle, fiscalização, ordenamento, proibições para que o espaço continue das crianças, dos mais velhos, dos que gostam de máscaras, fantasias, bom papo, encontros, menos agonia, mais contemplação. O Centro Histórico exige isso.





O circuito Campo Grande-Praça Castro Alves-Carlos Gomes devia ser apenas para os foliões-pipoca, os blocos afro, os afoxés, as batucadas de rua, a Mudança do Garcia, a brincadeira, a molecagem sadia, os caretas, as fantasias, as bandas alternativas, o samba-de-roda, as manifestações folclóricas, os grupos do Interior, a capoeira, os protestos, a liberdade de brincar, de criar, sem horários, sem tempo, o tempo todo, o espaço livre do povo...




Carros de som, só os pequenos, mini-trios, fobicas, corsos, batuqueiros...

A avenida do povão. Que tal?


O circuito Barra-Ondina, espaço ganho na tora pelos grandes trios, é o circuito dos grandes blocos e entidades, dos camarotes... dos mais abastados que chegam até de helicóptero e bebem champã, comem caviar, pagam por boates privadas com som tecno-pop, se esbaldam e se exibem distante do bodum da massa...

É outro mundo!

Lá embaixo o povão se esmigalha para ver o artista global. E, nos super-trios, as estrelas cantam e dançam para as câmaras de tevê e para os sites e blogs dos sete cantos do planeta, vendendo o peixe caro, um luxo só. Beautiful!



É isso que querem, tudo bem.



Mas, pergunto: Logo nos bairros que são morada de milhares de famílias, muitas delas avessas à folia, incomodadas, sitiadas, expulsas de suas casas e apartamentos? Por quê?

Já passou da hora de se criar um espaço próprio para o desfile dos grandes trios e blocos e os correspondentes camarotes dos endinheirados.

Uma carnavalódromo, já! Não falta espaço, né, João?

Vamos conversar? Mas cadê a coragem, diante das urnas, de olho nos votos?

Cobro, insisto na discussão do tema. O interesse público (da maioria) acima dos olhos gananciosos de sempre.

Não se trata de travar a evolução das coisas, mas de apontar saídas, antes que tudo exploda, acabe, por falta de espaço, imaginação, por saturação, mesmice, atraso.

Recife, Olinda, o próprio Rio de Janeiro estão buscando alternativas, renovando, reabrindo espaços para as manifestações populares espontâneas e livres.


“... reponha a grama do Farol! Não é justo que, em nome da festa, palanques, camarotes, edificações da qualquer natureza danifiquem os espaços públicos!”





E , mais adiante: “...É imperioso incentivar as bandas e orquestras com seus sonoros metais em Salvador, no justo momento em que renascem vigorosas no Carnaval carioca e continuam brilhando em Recife”.

Nunca é demais lembrar que foi uma banda dos Vassourinhas de Pernambuco, nas ruas de Salvador antes do carnaval de 1950, que motivou os fantásticos músicos e criadores Dodô e Osmar a inventar o Trio Elétrico.

Termino ainda com uma sugesta da melhor, do grande Waltinho Queiroz, para ser adotada já, quem sabe neste carnaval 2010 que se aproxima. O povo acata e realiza:

“...Pleiteio há quatro anos um poético espaço alternativo (para o carnaval). Um oásis acústico no Rio Vermelho, bairro de notória vocação boêmia, para manter acesa a chama dos eternos carnavais, e o Para o Ano Sai Milhó viria conosco! Espaço inovador e de alto astral, onde foliões de todas as idades possam
 brincar em paz! ...”




Enfim, o Rio vermelho seria um ponto de encontro, de relax, de reposição de energias, de escape, de namoro. Sem trios, sem som às alturas, num outro ritmo, um lugar para se dar as mãos, olhar o mar, comer um acarajé... Dar um tempo pro bem querer.


 
 
Texto: Zé de Jesus Barreto
Fonte: http://www.nublog.com.br/index.php

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Tente, Invente, Faça a Vida Diferente


O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.   




Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma

mobília, sem portas ou janelas, sem relógio... você começará a perder a

noção do tempo.



Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as

reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos

de sono, fome, sede e pressão sanguínea.



Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do

movimento

dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos

cíclicos,

como o nascer e o pôr do sol.



Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:



Nosso cérebro é extremamente otimizado.



Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.



Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.






Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar

conscientemente tal quantidade.



Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece

no

índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência

pela

primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está

acontecendo.





É quando você se sente mais vivo.



Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente

colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências

duplicadas.

Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece

que o

tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada

vez mais rapidamente..



Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado,

nossa

atenção parece ser requisitada ao máximo.




Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo  

os

sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.



Como acontece?

Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê

com

os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual

marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa ,

no

lugar de repetir realmente a experiência).



Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente.

Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são

apagados de sua noção de passagem do tempo.



Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a

experiência repetida.




Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas,

pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, -...

enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar

de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de

novidades), vão diminuindo.



Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de

novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.



Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a...



ROTINA





A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria

das

pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo

um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.



Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e

Marque).




Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou

registros com fotos.



Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias

sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no

seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.



Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de

aniversário

para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).



Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de

momentos usuais.




Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo,

bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite

parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do

cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no

Natal,

vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.



Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça

diferente.



Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.



Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências

diferentes.



Seja diferente.



Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com

seu


marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras

culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos..... em

outras palavras...... V-I-V-A.. !!!



Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer

mais

longo.



E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e

buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais

interessante e muito mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida

que existem por aí.



Cerque-se de amigos.



Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com

religiões

diferentes e que gostam de comidas diferentes.



Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?



Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade,

emoção, rituais e vida. th


E S CR EVA em                                       

tAmaNhos diFeRenTes e em CorES

di f E rEn tEs !

CRIE, RECORTE, PINTE, RASGUE, MOLHE, DOBRE, PICOTE, INVENTE,

REINVENTE....







V I V A !!!!!!!!
 
 
 
 
Texto:   Por Airton Luiz Mendonça


(Artigo do jornal O Estado de São Paulo)

sábado, 9 de janeiro de 2010

Free Form Crochet: Um oceano de possibilidades



Eu sou do tipo rebelde que não gosta de "amarras", limites, regras. Foi assim desde os tempos de adolescente, quando quis quebrar as convenções sociais. No crochê não é diferente. Eu faço muita coisa por receita, mas quando descobri a técnica do "crochê espontâneo" (freeform crochet) , cheguei ao paraíso das linhas e lãs.







Nessa técnica vc vai prá qualquer direção, qualquer textura, qualquer ponto, qualquer cor ou grupo de cores, enfim... liberdade total!  É só ir  imendando essas partes para formar o todo.













Esse casaco é um modesto exemplo desse vôo das agulhas, linhas e lãs.  E prá que houvesse uma unicidade nesse "caos" , optei por um barrado rosa em ponto alto simples por toda as bordas, gola, punho e recortes , sempre acompanhando o modelo original, que me serviu de molde. 










Adoro texturas, relevos, saliências e
reentrâncias, daí a opção pelas
pipocas saltitantes, os bordados avulsos em linha brilhosa, só prá dar um toque a mais no conjunto.



                      





Nessa área, eu costurei por cima do ponto de fundo, flores e frutos, e por cima destes, botões coloridos, acrescentando mais pimenta a esse jardim colorido.








Observe, que além do crochê, eu usei também pontos de tricô, afirmando aquela premissa inicial de total liberdade.








Além de ser uma peça única, é bem aconchegante e lhe deixa bem agasalhada, principalmente aqui no hemisfério norte onde o frio está castigando, com temperaturas bem abaixo de zero grau.







Veja outro exemplo dessa técnica, agora num suéter azul e verde. Tendo as costas e mangas feitas no ponto rede e com uma cor só, apenas alguns detalhes nas mangas prá dar unicidade a peça.










Vários tipos de lãs e linhas, inclusive aquelas tipo "fur", prá dar mais alegria e descontração.
Os pontos, os mais variados, desde os mais simples até os mais complexos, como o "fuxico" em espiral.








Estou apenas começando nesse
oceano imenso de possibilidades, e espero aprimorar cada vez mais em outras tentativas.









Veja outros trabalhos: http://www.knotjustknitting.com/

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