domingo, 2 de novembro de 2008

O Suor da Poesia

Todo mundo diz
Que o sertão vai virar mar
Mas eu sempre achei



Que o sertão sempre foi mar


Mar de bode e seca
Mar de couro e homem
Mar de boi e cangaço
Mar de coronéis e bicho revoltado
Mar de vingança
Mar da peleja no repente
Mar de Patativa, Zé da Luz


Mar de Gonzaga, o Luiz


Mar mesmo de gente
Mar cantador de uma dor
Mar do amor
O mesmo do Cego Aderaldo
Mar do simples pitando a vida
Como a vida é
Mar, mar e mar
Mar do sol rachando o chão
Mar da água molhando a esperança
Mar do feijão, milho e melancia
Mar de Miguel, Severino, José, João
Mar de uma Gordurinha pedindo perdão
Desse pobre coitado, que não sabe fazer oração




Mar de pedra e mandacaru
Mar do cinza
Asa branca, gameleira, mulungu





Mar de Maria Bonita


Mar de crenças, crias,
Mar do luar, mar dos Quelés
Mar das madrinhas, padrinhos,

Cumades e cumpadres
Mar dos lobisomens

Mar dos Gracialianos, os dos ramos,
Dos umbus, maxixes, quiabos



Mar dos Arianos, aquele Suassuna,
Da Paraíba, Pernambuco
Mar, mar das suçuaranas,
Metendo trote no rebanho.
Mar das peixeiras, gatilhos, garrunchas...
Mar do couro grosso sensível,










Mar do padre Cícero,
Mar do Cícero da venda,
Mar do pecado,
Mar de Maria Peito de Aço
Mar de Maria carola
Mar, mar e mar...
Mar dos cordéis.

O sertão é um montão de mar,
É a cria do povo
É a onda do povo
É a crença do povo
É o lampião alumiando a noite
É o lampejo em galope

É o suor da poesia.
O sertão é o suor da poesia
O sertão é um montão de mar.


JeanClaudio
13/10/08

sábado, 18 de outubro de 2008

Nosso cachorrinho de cada dia

Meu cachorrinho amado morreu ontem, deixando todos nós em frangalhos, depois de quase 14 anos de amor, dedicação e companheirismo.


Ele era de uma doçura e paciência ímpar. Nunca se queixava, nem das dores dos últimos dias. Mesmo quando ia ao veterinário, o que era lugar comum nos últimos meses, suportava dignamente todas as agulhadas e especuladas.
Seu amigo Lucca, um rapazola em plena energia da adolescência, não lhe deixava quieto e queria a todo o custo mais intimidade e brincadeira, mas ele, com a sapiência de um idoso, compreendia o afoito da idade e não revidava nunca, apenas mudava de lugar, o que não adiantava muito pois Lucca colava feito chiclete.


Quando era mais jovem, adorava ficar no jardim comigo correndo atrás dos esquilos e passarinhos que inundava os canteiros numa manhã de sol de primavera. Eram dias mágicos, onde eu transbordava de felicidade com a cumplicidade de meu companheirinho de todas as horas.


Tentei várias vezes pintá-lo numa tela, mas aquela quantidade de pelo negro me ofuscava e me deixava com os pincéis impotentes diante de tamanha complexidade da forma, mas Faby descobriu um jeito de imortalizá-lo nesta tela branca e preta.


Ele passou 14 anos dormindo comigo, mesmo que tinha essa caminha gostosa e quentinha, que só era visitada para aquela esfregada básica, quando voltava do jardim cheinho de carrapicho.
Dormia, comia, tomava banho e passeava sob a minha mira, como uma sombra, que a gente pensa que nunca nos deixará.

Mas eis que chega o dia de voltar a fonte de origem, de sair do manifesto para o não-manifesto, da partícula para a onda, da temporariedada para a eternidade e fazer nos lembrar de que tudo muda aqui nesse mundo de sonhos. Ele agora, dorme o sono dos justos.
No lado de cá... sobrou o vazio, a tristeza, a saudade, a solidão, as lágrimas. É tempo de luto.
Mas isso também vai passar como todo o resto do universo.........................................................
Billa, obrigada pela sua presença na minha vida!





sábado, 4 de outubro de 2008

Marina Silva

Eu assisti uma entrevista com Marina Silva, senadora e ex ministra do Meio Ambiente que me impressionou muito com a fibra, a ética e a simplicidade encantadora. Eu estava em frente de uma mulher de verdade, coisa rara de se ver em televisão. Geralmente só vemos moda, maquiagem do momento, culto a celebridades sem conteúdo algum e no máximo, receitas culinárias. Mas essa não, ela tinha tutano, tinha graça e sobretudo era transparente, no que acredita e professa.



Foi por acreditar em seus princípios que saiu do ministério, por não aguentar a pressão do próprio governo, do Agronegócio e suas hipocrisias descabidas.

Além de tudo isso, é artesã! faz colares com sementes e materiais da floresta maravilhosos, como esse aí da foto.

Segue um pouco da sua história e uma entrevista dada a Yasmin Trejos do blog "Aquavitae".

Marina Silva já foi seringueira, professora do ensino fundamental, senadora e ministra do Meio Ambiente. Hoje, é considerada uma das mulheres mais influentes do mundo por seu compromisso ambiental.


À primeira vista trata-se de uma Pessoa de aparência simples e tímida, mas quando fala se transforma em uma potente voz com peculiaridade não para metralhar e ofender, e sim ensinar e convencer.

Quando pequena, trabalhava com a extração da borracha; em sua casa, lhe contavam muitas histórias e lhe ensinaram a somar; mas foi aos 16 anos que entrou na escola. Utilizando o que havia aprendido, não só com os números, mas também com as letras, tornou-se professora e, em seguida, ativista ao lado Chico Mendes e Leonardo Boff. A vida a levou ao Senado e a ser Ministra do Meio Ambiente do Brasil.


Y- Quais seriam os principais desafios para América Latina na questão ambiental?
M- Primeiro, de continuar buscando um caminho próprio, pois no nosso desafio está posta uma equação que é única: não há como separar meio ambiente de desenvolvimento e vice versa. Pois ainda não atendemos as necessidades básicas e fundamentais do nosso povo. Os países que já atenderam estas necessidades podem estabilizar suas economias, não é o nosso caso. Fazer isso seria condenar milhões de pessoas a viver em pobreza. Temos que buscar uma nova forma de caminhar que possibilite crescer, gerar empregos, inclusão social, sem repetir os mesmos erros gerados em outras regiões do mundo. Ou seja: para eles é “descarbonizar” suas economias, para nós, é não carbonizar a nossa. E para isso só existe um caminho: o desenvolvimento sustentável.





Y- Quais seriam os principais atores desta mudança?
M- São agentes diversificados. Os governos têm um momento em que ocupam a posição de arco que impulsiona a flecha, mas em outros momentos, eles ocupam a posição de flecha impulsionada pelo arco da sociedade. Acho que estamos vivendo um momento em que a sociedade se colocou na posição de arco, querendo uma resposta, tencionando os governos para que induzam processos de gestão dos recursos naturais, que não comprometam estes recursos para as futuras gerações, até porque uma parte deles já está comprometida para as gerações presentes. E este movimento de arco também começa a influenciar a vida das empresas, que começam a pautar determinados assuntos e questões, pois percebem que seus usuários/clientes querem ser parceiros na viabilização de valores, não querem comprar coisas, querem adquirir valores. Ninguém quer levar uma mesa para casa que tem trabalho escravo, injustiça social e ambiental. Você pode levar uma mesa e sentar-se em volta dela e imaginar: esta mesa ajudou as pessoas a melhorarem suas vidas, ajudou a melhorar as florestas, a proteger a biodiversidade. Este é o recado para as empresas: mudem não apenas a maneira de fazer, mudem a maneira de ser. Quando nós mudarmos a nossa forma de ser, teremos um novo fazer. Isso é valido para políticos, ciência e todos nós.
Y- O que você acha que o Brasil pode fazer para ajudar na mudança em relação à água na AL? Como o Brasil pode se tornar um líder para AL neste sentido?
M- O Brasil pode manter esse exercício de liderar pelo exemplo e pela liderança fraterna. Transferir os conhecimentos que temos, nossas experiências. Buscar o apoio junto aos países desenvolvidos para que através de nós possamos repassar esta experiência para países em desenvolvimento. E não entrar na lógica de levarmos as coisas prontas para nossos parceiros, pois eles tem de se tornar auto-suficientes, toda e qualquer ajuda na agricultura, na gestão das águas, das florestas, da biodiversidade, dos conflitos sociais que não possam ser endogenamente re-significadas por aquela cultura, por aquela sociedade, são artificiais. Isso foi o que levou a crise alimentar que vivemos hoje: toda ajuda dada para a África sobretudo, foram ajudas artificiais dos europeus para os africanos. Não foi um processo com os africanos. Nós temos de deixar de fazer as coisas para as pessoas e fazermos com as pessoas. Acho que o Brasil precisa liderar pelo exemplo, inclusive nesta nova atitude.
Y- Você se julga uma mulher de fé. Qual a relação entre espiritualidade e água?
M- Uma das relações mais radicais entre espiritualidade e água está na Bíblia: “no princípio o Espírito de Deus pairava por sobre a água…” Deus disse: “Faça-se a luz, faça-se as plantas, os animais, faça o homem”… mas Ele não disse: “Faça-se a água”. Logo, se existe uma coisa que não temos como fazer é a água, pois ela já estava feita. RISOS

Y- A Revista Times disse que você é uma das 100 mulheres mais influentes do milênio. O que acha disso?
M- Acho que são escolhas simbólicas. Recentemente, foi escolhida uma lista com cinqüenta pessoas, dentre elas científicos, políticos, pessoas do mundo das artes etc. Isto para mostrar que elas representam determinados segmentos da sociedade. Eu sempre digo que o representante não substitui o representado. Assim, me sinto honrada de fazer parte deste grupo, mas sempre com a consciência e o sentido de que sou representante de algo e não que substituo aquilo que estou representando.

sábado, 20 de setembro de 2008

Abrindo o Baú














Com a industrialização das roupas e a massificação das tendências da moda tudo que é feito à mão está sendo super valorizado. A simplicidade dos pontos artesanais do crochê ganha status e passa a ser chique.A mania ganhou repercussão internacional quando o estilista americano Marc Jacobs e a italiana Miuccia Prada criaram roupas e acessórios com acabamentos em crochê. Com uma atitude moderna e visual renovado pelos estilistas o crochê sai do fundo do baú com todo o charme e a singularidade de um produto feito à mão do início ao fim.

Vestido de Jean Paul Gaultier


Apesar de jamais terem sido abandonados pelas agulhas das vovós, os pontos de crochê, eram, até pouco tempo, considerados ultrapassados itens alternativos em nossos guarda-roupas.Na passarela urbana, eles esbanjam graça e romantismo.


As técnicas não se aliam apenas às peças de roupas, mas aos acessórios: broches, bolsas, faixas para os cabelos, jóias e sapatos também embarcam na atmosfera nostálgica. O glamour de cada item fica por conta dos pontos em uma diversidade inesgotável. Ajustados às propostas contemporâneas, os crochês aparecem cheios de penduricalhos decorativos - o que confere identidade à peça.



Nem os sapatos e sandálias da linha retrô escapam à forte tendência. Além de uma intensa vivacidade, as coloridíssimas e delicadas flores em crochê sugerem um toque bucólico aos modelos arredondados da marca Ferrucci.









E se as técnicas jamais sofrem alterações, os materiais é que começam a ser substituídos. Da união de fios de palha, algodão e seda, os estilistas criam maravilhas, revelando assim uma nova possibilidade de trabalho.

Ousadia que abre portas para produções rústicas e sofisticadas.Com toda essa diversidade em criação, investir no crochê pode ser uma idéia sedutora, que valoriza o conforto e a arte na hora de se vestir.

Texto: Cinthia Albuquerque

Fotos: Internete

domingo, 14 de setembro de 2008

Que Pai é esse...Tão Belo? (Parte II)

Eu sou mesmo uma felizarda, sou rodeada de irmãos poetas, sobrinhos pintores, primos cantores- compositores e por aí vai. É uma família de artistas, ou pelo menos de pessoas sensíveis às mazelas humanas, doando uma parte de si em busca dos mistérios da alma.


Continuando as homenagens ao nosso pai, meu irmão Zirnaldo explode suas emoções de saudade nessa segunda parte, agora mais voltada a prosa, e mais uma vez, cheia da amor e devoção a um pai que se foi.

MEMÓRIAS DO SAUDOSO BIDA

Por Zirnaldo Rocha

ELE tinha muitos apelidos carinhosos:
Bidão, Bida, Bid, Dedé, Vovô Bida, Vovô da Bahia, Bio, Capitão, mestre...


O seu nome de registro foi inspirado num personagem grego por nome Alcebíades (o que parece explicar o seu senso de filosofia – vinda da fonte – e da sua sabedoria de berço, cujas colocações de vida nos surpreendiam e nos faziam perguntar: ‘como aprendeu esses princípios e colocações tão acertadas sobre a vida e condutas humanas, sem ter o primário completo e sem nenhum contato com a leitura de livros de autores famosos?)

O Alcebíades grego foi um guerreiro lutador – o Alcebíades, meu pai, também...
O Alcebíades grego vem da palavra “Alkibiades” que significa; violento e generoso.

Violento, todos sabemos que meu pai não foi – ele foi, isto sim, bravo quando contemplava o seu direito, ou o direito do semelhante desrespeitado, tolhido... Aí, ele virava uma fera – quase violento mesmo!

(Mesmo sem ter lido a Bíblia, ele aplicava na prática o princípio divino que diz: “Irai-vos e não pequeis; Não se ponha o sol sobre a vossa ira” – Efésios 4:26).

Generoso como o Alcebíades grego, ele foi – e como foi! Que o digam as pessoas ajudadas por ele: parentes, vizinhos, pessoas em geral que o conheceram e foram beneficiadas por ele; estudantes carentes, famílias pobres, viajantes sem o dinheiro da passagem, famintos sem o pão, sem a roupa e o teto, os doentes sem remédios...

Quando passamos com ele um mês em Salvador, cuidando dele em substituição dos cuidados do meu irmão Gélbio, que se encontrava em tratamento de saúde, todas as noites eu o chamava ao alpendre da casa e lhe dizia: “Pai, sente-se aqui, vamos “bater papo” sobre a vida, o passado, a família”.

Ele sempre respondia com um termo pitoresco e muito próprio do vocabulário dele – nós ríamos felizes ao ouvir sempre a sua resposta invariável, um sonoro “QUÁ...!”

Embora sua resposta fosse sempre esta, ele complementava: “vou ali buscar a minha bicicleta”
– ou seja, a sua confortável poltrona com rodinhas (presente do Gélbio) – aí, então, ele se assentava e começávamos o nosso colóquio vespertino.


Uma noite, relembrando o seu lado generoso com as pessoas, eu lhe disse: ‘Pai, o senhor sempre foi um homem generoso, brilhante na bondade com as pessoas, eu me lembro bem disto pai, como os vizinhos, parentes e pessoas simples falavam isto, exaltavam este lado bom do senhor, do seu coração benévolo e sensível...’

Sua colocação, em resposta à minha fala, me encanta até hoje, me enobrece pela expressão da sabedoria do meu pai, do seu equilíbrio emocional, da sua coerência, embora fosse um homem com noventa e quatro anos de idade e tivesse perdido quase completamente a memória, a ponto de não reconhecer até as pessoas mais íntimas da própria família.

Ele respondeu com sabedoria: “É, meu filho, uns dão muito, e outros recebem tão pouco... Infelizmente assim é a vida...!”

Quando falava com ele do trabalho que demos como filhos, ele respondia com muita sinceridade e resignação: “É verdade, vocês me deram muito trabalho, mas tudo já passou, não é?”

Ah! Nosso querido pai, você nos deixou sem a vida ao seu lado – contudo, temos o consolo da sua lembrança generosa, da sua alegria e gratidão contagiantes, do seu maravilhoso senso de humor, das suas “tiradas” fantásticas e, o mais importante, a lembrança do seu caráter honesto, terno e dócil como uma criança...

Bem disse Coelho Neto:

“O corpo que morre
é como o frasco de fina essência que se quebra,
deixando a casa por muito tempo impregnada de aroma,
até que tudo vai se desvanecendo,
ficando apenas a saudade,
que é a memória do coração.”

Nosso pai Bidão foi esse frasco – do tamanho de um jarro de flores – de fina essência, cujo perfume de vida nunca deixará de impregnar a nossa existência, a nossa lembrança e o sentido do nosso coração.

sábado, 6 de setembro de 2008

Um Casamento Indiano

A moça Hindu Gowri Vijayakumar conheceu o rapaz americano Joshua Williams na Universidade de Harvard e decidiram se casar. Eles optaram pela cerimônia hindu com aspectos cristãos, para satisfazerem ambos os credos.
Na Índia, dá-se grande importância ao casamento, pois considera-se que a vida em família é o estado natural dos seres humanos, e onde nós temos mais chance de sermos felizes e realizar nossas mais altas aspirações. Isso acontece porque, assim como os seres vivos dependem do ar para respirar, da mesma forma a sociedade depende das famílias para existir.
Os rituais são baseados nos Vedas, no folclore e na mitologia Hindu.


Um casamento indiano tem algumas características bem diferentes de um casório "normal" no Ocidente, a começar pela duração, que é de vários dias. Tudo começa na semana anterior à boda, com alguns rituais ligados à fertilidade, como a decoração das mãos da noiva e suas amigas com belos desenhos de henna. Esse ritual se faz acompanhado por lindas canções nas quais se fala da nova vida de casada que a noiva está começando. Depois disso, há vários encontros, trocas de presentes e brincadeiras, que preenchem os dias que antecedem a festa.



Na cultura hindu, a henna é usada em todos as grandes celebrações religiosas. Nos casamentos, as noivas pintam as mãos e os pés com intrincados desenhos que pretendem simbolizar a força do amor num casamento. Daí que a noiva procure manter as pinturas o máximo de tempo possível.
As outras meninas e mulheres da casa, bem como as amigas e primas, também pintam suas mãos e pés.


Depois, já no local do casamento, dá-se arrumação da noiva e o vestido propriamente dito.

Olha que trança mais linda da noiva! parte dessa trança foi acrescentada ao cabelo natural dela.


As amigas estão vestidas à rigor e são como damas de honra. Em muitas partes da cerimônia, elas vão até o palco onde estão os noivos para darem as suas bençãos.

A cerimônia começa quando o noivo Joshua, entra no templo e pratica alguns rituais junto com o sacerdote ou oficiante, um homem típico indiano, com uma aparência de um guru falando várias passagens védicas, em sânscrito. Depois, os pais da noiva pede a permissão da audiência e as bênçãos do Deus Ganesha para começar o casamento.
Entra a noiva Gowri, escoltada pelo tio maternal, a irmã e suas primas.
(Olha nós na audiência!)
Membros da família segura uma tela prá prevenir que os noivos se vêem. O noivo pede que a noiva olhe com amor e compreensão. A tela é tirada e os noivos jogam sementes de cumim um no outro. De acordo as crenças populares, aquele que for mais rápido e jogar primeiro irá dominar o casamento, mas quem é o vencedor, é sempre debatido.

Joshua põem uma guirlanda de flores em Gowri e vice-versa, simbolizando fertilidade.

Os noivos acendem um fogo e oferecem arroz de pipoca e manteiga indiana simbolizando o combustível para uma vida feliz e saudável juntos. Os mantra Védicos cantados nesse fase referem ao Prakriti, a causa material do Universo, e Purusha, a fonte espiritual. A união deles é a beleza da criação.



Os noivos jogam arroz um no outro. O arroz simboliza prosperidade e felicidade.


Os noivos andam em círculo três vezes em torno de um fogo . O fogo é considerado a evidência da energia universal e portanto uma testemunha infalível. A noiva dá 7 passos, correspondendo aos 7 votos tradicionais. Depois os noivos recitam os votos em Sânscrito e Inglês:
1. Que o primeiro passo nos dê saúde.
2. Que o segundo passo nos dê força.
3. Que o terceiro passo nos possibilite seguir as regras do darma (deveres).
4. Que o quarto passo nos dê felicidade.
5. Que o quinto passo nos dê prosperidade.
6. Que o sexto passo nos ensine conviver em harmonia com a Natureza.
7. Que o sétimo passo nos possibilite preencher nossas obrigações sociais.
Eles trocam alianças e recitam os votos pessoais que fizeram um para o outro. Agora são marido e mulher.

Depois dos rituais vem a festa. Os noivos trocam de roupa e entram triunfantes no salão.


É hora dos comes, bebes, danças e muita alegria.
Tanto a cerimônia quanto a festa aconteceram num hotel 5 estrelas em Boston. Tudo muito chic e de bom gosto.
A mãe da noiva é colega de trabalho de Don, daí a nossa presença na lista dos convidados.

sábado, 30 de agosto de 2008

Jalaluddin Rumi

Em todas as minhas leituras místicas e espiritualistas, um nome é citado por todos, desde Osho , Deepak Chopra até Eckhart, falam da sabedoria desse poeta persa, cuja beleza e verdade dos versos me deixa extasiada, daí minha homenagem e a tentativa de aprender um pouco mais sobre esse homem maravilhoso.
Rumi nasceu em 30 de Setembro de 1207 onde hoje é o Afeganistão e morreu na Turquia, em 17 de dezembro de 1273. É considerado o criador do Sufismo, a vertente mais mística do islamismo. Acreditava que o exercício do amor era essencial para o amadurecimento e aperfeiçoamento dos seres humanos. Pregava a tolerância, a bondade, a paciência, a calma e a compaixão incondicionais. Depois da sua morte, seus seguidores fundaram a Ordem Mevlevi, que a gente reconhece como aqueles derviches que dançam, girando... Essa dança, chamada “sema”, é uma forma de oração coletiva. A UNESCO declarou 2007 o Ano Internacional de Rumi e para celebrar os 800 anos do nascimento do poeta, o governo da Turquia convidou 300 derviches e vários cantos do mundo para dançar na maior “sema” jamais vista.



Conhecido por muitos como o misticismo do Islã, o sufismo é uma filosofia de autoconhecimento e contato com o divino através de práticas meditativas, retiros espirituais, danças, poesia e música. Os sufis acreditam que Deus é amoroso e o contato com ele pode ser alcançado pelos homens através de uma união mística, independente da religião praticada. Por este conceito de Deus, foram, muitas vezes, acusados de blasfêmia e perseguidos pelos próprios muçulmanos exotéricos, pois contrariavam a idéia convencional de Deus.

Alguns poemas de Rumi:


Vem. Conversemos através da alma.

Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.

Sem exibir os dentes, sorri comigo, como um botão de rosa.

Entendamo-nos pelos pensamentos, sem língua, sem lábios.

Sem abrir a boca, contemo-nos todos os segredos do mundo, como faria o intelecto divino.

Fujamos dos incrédulos que só são capazes de entender se escutam palavras e vêem rostos.

Ninguém fala para si mesmo em voz alta.

Já que todos somos um, falemos desse outro modo.

Como podes dizer à tua mão: "toca", se todas as mãos são uma?

Vem, conversemos assim.Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.

Fechemos pois a boca e conversemos através da alma.

Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.

Vem, se te interessas, posso mostrar-te.


A evolução da forma

Toda forma que vêstem seu arquétipo no mundo sem-lugar.

Se a forma esvanece, não importa,permanece o original.
As belas figuras que viste,as sábias palavras que escutaste,

não te entristeças se pereceram.
Enquanto a fonte é abundante,o rio dá água sem cessar.

Por que te lamentas se nenhum dos dois se detém?
A alma é a fonte,e as coisas criadas, os rios.

Enquanto a fonte jorra, correm os rios.

Tira da cabeça todo o pesar e sorve aos borbotões a água deste rio.

Que a água não seca, ela não tem fim.
Desde que chegaste ao mundo do ser,

uma escada foi posta diante de ti,para que escapasses.

Primeiro, foste mineral;depois, te tornaste planta,e mais tarde, animal.

Como pode ser isto segredo para ti?
Finalmente foste feito homem,com conhecimento, razão e fé.

Contempla teu corpo; um punhado de pó vê quão perfeito se tornou!
Quando tiveres cumprido tua jornada,decerto hás de regressar como anjo;

depois disso, terás terminado de vez com a terra,e tua estação há de ser o céu.
Passa de novo pela vida angelical,entra naquele oceano,e que tua gota se torne o mar,

cem vezes maior que o Mar de Oman.
Abandona este filho que chamas corpo e diz sempre Um; com toda a alma.

Se teu corpo envelhece, que importa?Ainda é fresca tua alma.



Para saber mais: http://www.rumi.net/rumi_by_shiva.htm

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Estocolmo


Estocolmo fica na parte litoranêa da Suécia. Está situada num arquipélago de catorze ilhas e ilhotas, unidas por 53 pontes, na região onde o Lago Mälaren encontra o Mar Báltico. Seu relevo é de planície, chegando no máximo a 200 metros de altitude em relação ao mar em alguns pontos.

Além de ser uma grande cidade com uma vida cultural ativa, Estocolmo enquanto capital também abriga várias das instituições culturais da Suécia, incluindo teatros, ópera e museus. Há dois prédios que são Patrimônios Culturais da Humanidade, de acordo com a UNESCO, em Estocolmo: o Palácio Drottningholm e o Skogskyrkogården. No ano de 1998, Estocolmo foi designada Capital Européia da Cultura. A origem do nome da cidade, provém da qualidade de vida, que é uma das melhores do mundo.




A cidade possui um elevador que os brasileiros apelidaram de "Lacerdinha", pois é parecido com o elevador Lacerda de Salvador, e liga a parte baixa com a alta da cidade.








Estocolmo é mais conhecida pela cerimônia de entrega do Prémio Nobel que ocorre todos os anos, mas a cidade é também sede da maior concentração de universidades e de instituições de ensino superior isoladas da Suécia.

















A capital da Suécia foi uma das poucas capitais européias não atacadas durante a Segunda Guerra. Por isso, e graças ao conhecido valor que os nativos sabem devotar à cultura e à história, permanece como um museu a céu aberto, uma impressionante coleção de construções que remontam à Antiguidade, passam pela Idade Média e alcançam o ápice da Renascença e da Modernidade. Cortada por canais, Estocolmo é uma cidade que alterna o transporte terrestre com o aquático – historicamente, a Escandinávia é uma região que tem fascínio pelas águas; desde os vikings e provavelmente, antes disso.





Aliás, é em Estocolmo que está um dos mais interessantes museus do mundo, o Vasa. Ele possui apenas uma peça principal: um imenso e espetacular navio de guerra viking. Soube que o encontraram no fundo de um dos canais da cidade e passaram décadas ‘tratando’ o navio embaixo d’água, de forma a preservá-lo quando fosse trazido à tona. Assim aconteceu: colocaram a nau na margem do canal e em torno dele construíram o Vasa Museum. Inaugurado em 1990, é o museu mais visitado da Escandinávia e o galeão é a única grande embarcação do século XVII intacta, hoje remanescente no mundo. Espetacular.


















Entendo que, pela vida ‘certinha’ demais e pelo frio que perdura por mais da metade do ano (os dias chegam a ter apenas 4 horas em dezembro e janeiro!), é quase impossível para nós, seres tropicais, morar na Suécia. Mas não tenho dúvidas de que Estocolmo é uma das cidades mais ‘visitáveis’ do planeta.





Cortada por muitos canais, uma grande opção é fazer um passeio de barco e poder apreciar a cidade pelo lado das águas. Esse que eu fiz foi "Estocolmo sob as pontes". Teve uma duração de duas horas e vimos todos os pontos interessantes, passando por baixo de diversas pontes.

















Foi uma viagem inesquecível!







Fotos: Queila Levinstone
Dados: Wikipedia



























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